Tantas voltas demos para evitar aquilo que seria garantido: Calypso + Paralamas. Para evitar, no bom sentido. Que a gente queria mesmo era encrenca e essa dupla sabíamos ser feita um para o outro.
Como bem Hermano Vianna no primeiro ensaio no Rio falou, os dois grupos se encontram no Caribe, terra mãe de merengues, reggaes, skas, calipsos e tudo mais que os alimenta e colore. Nunca se pôde negar o parentesco entre as guitarras de Herbert e Chimbinha. Tanto por esse lado tropical quanto pela influência rock, ao ponto de, Chimbinha, mais novo dos dois, se declarar fã do paralama, citando que teve inegavel importância em sua formação.
Cá entre nós, que grande mestre esse Chimbinha. Discípulo de Vieira e Aldo Senna - os famigerados Mestres da Guitarrada do Pará - soube desenvolver a técnica de ambos a um ponto de precisão extrema e acrescentar temperos pop, rock e brega na medida para criar o maior fenômeno de nossa música independente e o maior nome desse começo de século ao lado de sua parceira Joelma.
Mulher forte, simpática e carismática, do tipo que a gente sente como se conhecesse há um bom tempo numa conversa de poucos minutos, a cantora também se revela inspirada no rock. "Minha voz é um tanto limitada, então aprendi uns truques com as cantoras de rock, que também são", me confidencia ela. Verdade.
Imediatamente reconheço alguns de seus truques vocais na Cindy Lauper. Outros em cantoras mais atuais. Mas tá tudo lá no rock. É essa força que enlouquece as multidões em seus shows. Rock arena puro disfarçado de Brasil. Gênio!
Mas agora imagine, caro leitor, acrescentando Bi Ribeiro, Barone e o time de feras que os acompanha a facilidade que foi esse encontro. Só não ficava triste e entediado com o tão pouco que tinha pra fazer nos ensaios porque era impossível achar qualquer coisa ruim naquela sonzeira.
Tão prazeroso quanto as conversas de bastidores com Herbert, que não encontrava há muitos anos, quando relembramos um prometido ano novo na Paraíba, filosofamos sobre a importância dos números e como eles regiam nossa vida (tenho certeza de que Deus seja uma equação impossível de formular) e ouvi suas impressões sobre como tocar sentado aumentava a atenção e percepção do som.
Muito mais sobre meu trabalho aqui não tenho o que falar. De resto, caprichar na gravação para soar com a dignidade que tamanho encontro exige, tarefa a cargo de Marcão e equipe da Gabisom, que nos acompanhou em todo esse projeto e com supervisão e mixagem poderosa do parceiro Tomás Magno, grande produtor que tem paciência de trabalhar de engenheiro de som comigo em alguns projetos.
Grande galera! Valeu demais!!! Obrigado à Anna Butler pela oportunidade e aos artistas pela confiança; à Coca Cola Zero por acreditar na música e investir na renovação, e vcs que me leram aqui nesse blog durante esses meses.
Espero continuar sempre por perto de todos vocês. Salve!
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